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Bernard Matemera photo Bernard MATEMERA, 1946-2002

Nascido em 1946 em Guruve, Zimbabué, Bernard Matemera foi um dos membros fundadores de Tengenenge tendo sido durante muitos anos, o líder simbólico da comunidade. O seu trabalho poderoso e sem cedências pode ser hoje apreciado em inúmeras colecções públicas e privadas em todo o mundo.

Bernard Matemera é reconhecido como um dos mestres escultores do Zimbabué. Durante toda a sua carreira manteve-se em Tengenenge onde ainda hoje é visto como umas das figuras de referência entre a comunidade de artistas.
O reconhecimento internacional e o apreço no seu país não vieram no entanto, facilmente. Ainda jovem, Matemera mostrava já talento a esculpir madeira e nas artes tradicionais locais como o barro. Mas tal como com os outros que viriam a tornar-se mestres escultores , foi Tom Blomefield e Tengenenge que lhe proporcionaram a mudança mais dramática da sua vida - a introdução à escultura em pedra. Bernard Matemera rapidamente desenvolveu um estilo próprio e poderoso ao qual se manteve fiel ao longo de anos e anos de experimentação e sucesso. O seu trabalho tornou-se complexo e por vezes de difícil leitura (especialmente para o público internacional) sendo por vezes necessário algum tempo para que a iconografia fortemente africana seja entendida e assimilada. Animais, espírítos e criaturas que habitam os sonhos tornaram-se temas recorrentes ao longo da sua carreira. Pedem atenção, não podem ser ignorados e permanecem com o espectador muito após terem desaparecido da vista. A relutância de Matemera em discutir o seu trabalho apenas contribuia para todo o processo.

Bernard Matemera at his studioF. Mor, autor de "Shona Sculpture", descreve o trabalho de Matemera:

"O seu neo-expressionismo africano, frequentemente representado em enormes e grotescas figuras, oscila entre o cómico e o trágico. Muitos dos seus personagens apresentam a misteriosa marca dos três dedos - um tema recorrente nos sonhos do artista. mas também um facto objectivo entre a comunidade donde é originário. Matemera foi um dos poucos que ficou durante a guerra da Independência e permanceu fiel às suas crenças e ao orgulho no seu país e às suas raízes culturais."

A respeitada crítica de arte e especialista em escultura no Zimbabué, Celia Winter-Irving, escreve sobre o trabalho de Matemera com um grande conhecimento da comunidade de Tengenenge:

"Há nestas esculturas um inesperado poder e uma reserva de energia. Elas "falam" de força interior e da força por detrás de si próprias. São o produto de uma mente e de mãos igualmente poderosas. São, de facto, uma celebração do monumental. "

Nos últimos anos da sua carreira, Bernard Matemera foi alvo de aclamação e enorme atenção internacional traduzida nos prémios da Trienal de Nova Deli em 1986 e da National Gallery of Zimbabwe.

As esculturas de Bernard Matemera resultam dos seus sonhos: animais, espíritos, pessoas e criaturas, e a sempre presente metamorfose entre todos eles.

Algumas das obras mais representativas incluem "Blind Man", "Great Spirit Woman", "The Man who ate his Totem" e "Chapungu".

Bernard Matemera é um dos maiores escultores do nosso tempo.

extraído de: "Chapungu - Custom and Legend" (2001), R. Guthrie and "Sculptors from Zimbabwe", B. Joosten

 

[obras disponíveis de Bernard Matemera]

[leia mais sobre a história do movimento de escultura moderna no Zimbabué ]

Bernard Matemera

 

 

 

 

 

Bernard Matemera "Bull Head"

 

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